DIETA & MOTIVAÇÃO - A MAGREZA E A FELICIDADE
A saúde não é elemento de motivação para que pessoas invistam recursos e mantenham, de maneira contínua, recomendações médicas.
A busca da saúde como forma de alcançar a beleza parece ser um apelo social muito mais eficaz. Existe, porém sempre o risco de cairmos em exageros de métodos e terapias de emagrecimento, tratamentos estéticos de beleza a jato, e dietas restritivas e mágicas, como da sopa, da fruta, da água da lua, entre outros vários tratamentos executados em clínicas e locais inapropriados.
Tudo isso somado a pressão de um modelo de beleza inacessível à maioria dos humanos, traz uma grande frustração a um número enorme de adolescentes normais de peso e altura, porém constantemente insatisfeitas com o próprio corpo por não estarem nada parecidas com os modelos atuais colocados na mídia.
Não só as adolescentes, mas um número crescente de mulheres e até de homens buscam nas dietas e tratamentos a magreza e não a saúde. Hoje, vemos o alimento como inimigo, como um grande vilão que nos atrapalha e escraviza nos tira a barriga murcha, o músculo delineado.
Desde quando vem essa distorção? O que ocorreu nos últimos anos? Será que não haverá questionamento para essa febre e para essa loucura social com aspectos epidemiológicos?
Hoje se vê o aumento dos casos de transtorno de imagem corporal, como a bulimia, anorexia, depressão, ansiedade, transtorno do comer compulsivo, transtorno obsessivo compulsivo, alterações como hiperatividade, infertilidade, etc. Muitos casos estão vinculados a uma má nutrição ou a uma péssima escolha nutricional e nada tem a ver com o alimento bom, com a dieta saudável balanceada, onde o prato é degustado com prazer e não com medo. Arroz feijão e bife, peixe com batata, macarrão, não mais aparecem na rotina de adolescentes numa fase de grande crescimento neuronal.
Nada parece adiantar, pois os conselhos vêm de mães despreparadas para cuidar da própria saúde, que não mais sabem agir de forma coerente com os filhos e com a casa. A restrição alimentar crônica gera perda de qualidade de funcionamento neuronal, onde a redução de aminoácidos e vitaminas leva a perda óssea e dentária, perda de massa magra-muscular, perda de tecido colágeno e também do mau funcionamento químico em diversos setores do organismo onde as vitaminas como B1, B6, B12, selênio, zinco, gorduras de oleaginosas como sementes exercem papel essencial no bom funcionamento orgânico e cerebral.
A restrição crônica leva à fome oculta, onde sua fisiologia estará comprometida em pacientes com anorexia e bulimia. A restrição piora e acentua o padrão psiquiátrico porque a carência nutricional irá comprometer a bioquímica cerebral. E, com isso a depressão estará anexa ao padrão restritivo.
Finalmente o que vemos como reflexo de tanto apelo à vaidade é um aumento da população obesa e com diabetes, e do outro lado o aumento de transtornos alimentares, que levam a morte de adolescentes por anorexia, de pacientes com padrão depressivo, bulimia, e com padrão de excesso de treinos em academias.
A magreza a qualquer custo é o caminho da felicidade?
Vânia Assaly - Médica endocrinologista, Nutróloga
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