ALIMENTAÇÃO E GESTAÇÃO
Que mudanças são necessárias na alimentação durante a gravidez?
A gestação é o período onde as necessidades nutricionais da mulher estão aumentadas porque seu organismo necessita de nutrientes em quantidade suficiente para o crescimento e desenvolvimento do bebê. As gestantes devem consumir mais calorias e nutrientes essenciais do que as outras pessoas.
Quais os nutrientes necessários/indispensáveis ao organismo neste período? Em que quantidades devem ser ingeridos? Quais os alimentos que fornecem esses nutrientes?
O consumo de alguns nutrientes deve ser aumentado na gestação. O consumo de energia deve ser aumentado em gestantes com peso saudável e baixo peso e mantido em mulheres com sobrepeso ou obesidade.
A ingestão de proteínas deve ser aumentada sendo o consumo diário recomendado de 60 g. É importante observar a qualidade das proteínas, as de alto valor biológico estão presentes nos alimentos de origem animal como carne bovina, frango e peixe, e as debaixo valor biológico em alimentos de origem vegetal como o feijão do grupo das leguminosas.
Alguns nutrientes como o cálcio e o ferro também tem suas necessidades diárias aumentadas. A ingestão de cálcio deve ser de 1300mg por dia, 300mg a mais do que o recomendado para mulheres adultas não gestantes. Os alimentos ricos em cálcio são o leite, iogurtes e queijos.
O ferro é um nutriente
A deficiência de ácido fólico pode causar defeitos no tubo neural quando presente no início da gravidez e possibilidade de desenvolvimento de anemia megaloblástica quando a deficiência ocorre no último trimestre. A quantidade diária sugerida é de 600 microgramas, bastante difícil de ser conseguida apenas com a alimentação. Por isso a suplementação de ácido fólico é indicada pela maioria dos médicos. Os alimentos ricos em ácido fólico são vegeatis verde escuros, fígado, leguminosas e frutas cítricas.
As fibras são fundamentais para as gestantes que tendem a apresentar obstipação devido ao aumento do tamanho do útero que pode pressionar os intestinos. As frutas, verduras e cerais integrais são boas fontes de fibras.
A alimentação da gestante deve conter, diariamente, alimentos de todos os grupos alimentares. Os pratos devem ser variados e coloridos. As frutas e vegetais verde escuros e amarelos são fonte de ferro e vitamina A e devem ser ingeridas diariamente. As refeições devem ser fracionadas ao longo dia em três refeições principais: café da manhã, almoço e jantar, e pelo menos dois lanches intermediários. A quantidade de alimentos a ser ingerida deve ser orientada pelo me'dico e/ou nutricionista de acordo com o estado nutricional. Evitar o consumo em excesso de alimentos industrializados, gorduras saturadas e frituras.
Bebidas alcoólicas devem ser evitadas e o consumo de cafeína não deve exceder 3 xícaras por dia.
Os famosos "desejos" de grávida têm explicação científica?
Tanto os desejos como as aversões a determinados alimentos não podem ser comprovadas cientificamente, uma vez que a grande parte das informações é empírica. Além disso, os tipos de alimentos desejados ou evitados variam muito de mulher para mulher. De maneira geral os desejos mais relatados são doces e derivados do leite e os mais evitados são o álcool, café e carnes.
Mulher grávida precisa, realmente, comer por dois?
Não. O que ocorre é um aumento da necessidade energética durante o período gestacional, de aproximadamente 300 Kcal por dia. Durante o primeiro trimestre esse aumento deve ser, de 0 a 150 Kcal/ dia e ao longo do segundo e terceiro trimestre, de 300 a 350 Kcal. É importante considerar que cada gestante tem necessidades diferentes, devido ao seu estado nutricional e sua composição corporal antes da gestação. Portanto, é possível comer tudo, mas sem exageros.
Durante o primeiro trimestre o ganho de peso é materno sendo o ganho de peso do bebê maior a prtir do quarto mês de gestação.
Quantos quilos, em média, a mulher deve ganhar (máximo e mínimo) para não comprometer sua saúde e a do bebê?
Antes da definição de quantos quilos a mulher deve ganhar durante a gestação o que deve ser feito é o diagnóstico do estado nutricional no início da gravidez. É importante ressaltar que o peso é um dos indicadores a serem considerados para uma gestação com evolução normal. Outros fatores são a idade, altura, paridade, uso excessivo de álcool e tabagismo. Avaliando-se esses fatores é possível avaliar a gestação em baixo, médio ou alto risco.
Mulheres com baixo peso ou desnutridas, com baixo ganho de peso gestacional, podem gerar bebês com baixo peso ao nascer, além de possíveis prejuízos neurológicos, baixa imunidade de órgãos vitais como pulmão e fígado com funcionamento prejudicado.
Por outro lado, o sobrepeso ou a obesidade com o ganho de peso em excesso durante a gravidez também pode gerar problemas para a mãe como obesidade e diabetes, e para o bebê, que pelo excesso de gordura da mãe pode se tornar um bebê obeso. Sabe-se que a taxa de mortalidade em bebês acima de 4 Kg é aumentada.
Por essas e outras razões, os estudos relacionados ao ganho de peso gestacional buscam informações que ajudem a diminuir a morbidade e mortalidade perinatal.
No primeiro trimestre pode ocorrer ganho, perda ou manutenção do peso. Se a perda ou ganho forem elevados, o controle deve ser maior ao longo dos outros trimestres.
Espera-se que gestantes com baixo peso ao engravidar tenho um ganho de peso por volta de 14 a 15kg, mulheres com peso saudável devem aumentar de 9 a 11kg e com sobrepeso ou obesidade de 7 a 9kg.
É importante lembrar que a gravidez de dois ou mais bebês deve ter um ganho de peso diferentes, entre 15 a 20kg para mulheres com peso dentro da faixa da normalidade ao engravidar.
Dra. Manoela Figueiredo
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