ANOREXIA: DE QUEM É A CULPA - ENTREVISTA PARA MARIE CLAIRE
Cerca de 1,4 milhão de brasileiras sofrem desse distúrbio. Será que a culpa é exclusivamente da indústria da moda? O que passa na cabeça de uma mulher que tem a doença?
Em uma única semana de novembro, a anorexia provocou a morte de duas jovens, chamando a atenção para um problema que cresce assustadoramente no Brasil e no mundo. O assunto já estava na pauta de Marie Claire, que acompanhava o trabalho da fotojornalista Lauren Greenfield, autora de "Thin", livro e documentário que registram o drama de jovens americanas anoréxicas: parte desse projeto é antecipada aqui. Em São Paulo, poucas horas antes da morte da modelo Ana Carolina, a reportagem entrevistava uma brasileira anoréxica há 17 anos, que está em tratamento. Ela é bonita, casada e não é modelo. Cerca de 1,4 milhão de brasileiras sofrem desse distúrbio. Será que a culpa é exclusivamente da indústria da moda? O que passa na cabeça de uma mulher que tem a doença? Para responder essas questões, foram ouvidos médicos, psicólogos, gente ligada à moda. E as próprias vítimas de anorexia.
O universo da moda é o suspeito mais óbvio dos casos de anorexia que levaram, no mês passado, à morte de duas jovens brasileiras -Ana Carolina Reston, modelo, e Carla Sobrado Cassalle, estudante de moda, ambas de 21 anos. À primeira vista, as top models teriam o poder de ditar um padrão de beleza associado a fama, glamour e dinheiro. O que se imagina é que, para chegar ao topo, as meninas fariam qualquer negócio -até passar fome. É verdade que o cenário fashion hipnotiza muitas jovens, fazendo com que acreditem que a magreza extrema é o caminho mais curto para as passarelas. Mas essa não é a única verdade.
Por um lado, a indústria da moda dá a cara para bater ao atestar que para ser modelo é preciso ter um biotipo definido: segundo parâmetros internacionais, a altura mínima de 1,71 m deve ser combinada com o quadril de, no máximo, 90 cm. Se o objetivo for a passarela, a exigência é ainda maior: pelo menos 1,76me os mesmos 90 cm de quadril. Por outro lado, especialistas da área de saúde ainda não têm uma conclusão definitiva sobre a origem da doença. Mas tudo leva a crer que fatores biológicos e psicológicos, aliados a pressões sociais e familiares, são capazes de detonar a anorexia.
O fato é que, em cada 100 mulheres jovens, duas a quatro têm a doença, segundo dados norte-americanos, que valem para o Brasil. Nos Estados Unidos, o problema já está sob os refletores há tempos. A fotojornalista Lauren Greenfield acaba de lançar um documento impressionante sobre o assunto. Depois de conviver com pacientes anoréxicas no centro Renfrew, na Flórida, ela reuniu 20 histórias que culminaram no livro e no filme "Thin" (ainda sem previsão para exibição no Brasil), vencedor do prêmio de melhor documentário no London Film Festival. Aqui, Marie Claire antecipa parte desse trabalho, que começou com uma reportagem para a revista "Time", em 1997, quando Lauren conheceu a clínica Renfrew-a primeira do país a tratar exclusivamente de pessoas com distúrbios alimentares. "É o retrato de uma doença frustrante em sua complexidade, e dilacerante na dor que causa às anoréxicas e às pessoas que as amam", diz Lauren.
Poucos dias depois das mortes de Ana Carolina e Carla, a endocrinologista Vânia Assaly atendeu uma paciente que queria saber se um novo remédio, indicado para obesos diabéticos, poderia ajudar a filha de 21 anos a perder peso. "A garota é magra, mas quer ser modelo. Fiquei impressionada porque, com tudo o que estava acontecendo, a mãe ainda queria 'emagrecer' a filha. A obsessão pela magreza é um assunto diário no consultório." Segundo ela, é comum que mulheres com IMC-índice de massa corporal normal (25) estejam insatisfeitas com o corpo. Muitas aderem às dietas radicais, às lipos e às drogas para emagrecer em busca do corpo perfeito. Mas só para uma minoria a dieta se transforma em transtorno alimentar. "Esse distúrbio funciona como um vício. Nem todos que bebem álcool se tornam alcoólatras. Da mesma forma, nem todos que fazem dieta vão desenvolver esse transtorno", diz a psicanalista Cybelle Weinberg, que acaba de lançar o livro "Do altar às passarelas", com o psiquiatra Táki Cordás. Nele, os especialistas afirmam que anorexia não é um mal da modernidade-beatas da Idade Média já jejuavam para alcançar a santidade. "O ideal da doença mudou, mas a idéia de ficar magra ao extremo sempre teve o objetivo de atingir a perfeição", diz Cibelle. Para ela, essa obsessão é uma forma de se proteger do olhar erótico do outro. "Uma anoréxica teme a própria sexualidade. Seu desejo é perder suas características femininas."
ALÉM DA DIFICULDADE de assumir o papel feminino, as anoréxicas têm problemas com a figura materna. Elas se imaginam tolhidas e controladas pela família, mesmo que não sejam. "A paciente acha que a única coisa que realmente controla é o peso. Sente prazer em dominar seu corpo, e é isso que move a sua força de vontade contra a fome", diz o psiquiatra Rubens Pitliuk. Uma análise mais profunda indica que a anorexia não está restrita ao mundo da moda. No Ambulim, setor de psiquiatria do Hospital das Clínicas que trata pacientes com transtornos alimentares, circula cerca de 80 casos por semana, na maioria meninas adolescentes. Além da faixa etária e do sexo, o grupo compartilha de um perfil introvertido, com traços de perfeccionismo e rigidez. São características que, perversamente, sustentam a conduta doentia, que as permite passar cada vez mais tempo sem comer.
Por trás disso, pode existir uma predisposição genética - a anorexia tende a acontecer em pessoas de uma mesma família. Além disso, o distúrbio também pode ser disparado por disfunções da química cerebral, as mesmas associadas à depressão, ansiedade e síndrome do pânico. "E o fator hormonal explica por que a anorexia acontece mais em mulheres", afirma Vânia.
Segundo o endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do Grupo de Obesidade e Doenças Metabólicas do HC, os diagnósticos têm aumentado. "Isso é ruim, pois denota um aumento da presença da doença. Mas também é positivo, já que, quanto mais precoce o tratamento, maiores são as chances de reverter o quadro." Falar em cura é difícil, pois as recaídas são comuns. Mas cerca de 40% das tratadas conseguem se recuperar, e 30% podem voltar a apresentar sintomas da doença. O restante evolui com complicações físicas e psicológicas.Nesses casos, a taxa de mortalidade chega a 20%.
Mas, se os genes apontam a tendência, não há dúvida de que o ambiente desencadeia o problema. A prova é que, no mundo da moda, a incidência de casos de anorexia quase dobra. "O que aconteceu com Ana Carolina foi uma fatalidade, mas também é emblemático.O mundo das "A moda repete o que antes acontecia com os meninos e o futebol" Ronaldo Fraga, estilista top models e as aparentes possibilidades de riqueza e projeção fazem com que garotas, e também suas mães, idealizem a carreira. Mas as modelos são altas e magras por natureza. É impossível querer se enquadrar em algo tão específico", diz Amir Slama, estilista da grife de biquínis Rosa Chá. "Acho que a orientação cabe aos pais."
Só que essa orientação, muitas vezes, é outra. O estilista mineiro Ronaldo Fraga diz que sempre topa com uma mãe "oferecendo" a filha para ser modelo. "Às vezes são meninas de 7, 8 anos! O fato é que, hoje, a moda está repetindo o que, antes, acontecia com meninos e futebol. O sucesso da filha-modelo é a aposta de muitas famílias." Para Fraga, o padrão de magreza é lamentável e causa situações absurdas. "Há meninas que tomam um copo de detergente para vomitar." E algumas passam do ponto... para menos. "Na hora do desfile, não ajusto roupas, e muitas saem do casting porque estão magras demais."
Nos bastidores, parece que pouca coisa vai mudar. As agências devem passar a exigir das modelos um exame de sangue semestral -existe uma torcida para que a medida não seja só uma formalidade. Na Espanha, o ataque contra a magreza parece ser mais severo. Lá, modelos com IMC inferior a 18 estão proibidas de participar da semana de moda em Madri. Mas a decisão só aconteceu depois da morte da modelo uruguaia Luisel Ramos, em agosto passado, em pleno desfile.
MESMO COM AS NOVAS REGRAS, as agências continuam interessadas em garotas jovens -entre 13 e 20 anos-, bonitas e, principalmente, magras. Lica Kohlrausch, dona da L'Equipe, agência para a qual Ana Carolina trabalhou, diz que a moda tem um padrão específico como qualquer profissão. "Bailarinos, atletas, todo mundo sofre pressão. Nada vai mudar aqui." Anderson Baumgartner, booker da Marilyn, afirma que, nos nove anos de profissão, nunca ouviu falar de anorexia entre modelos. Já o estilista Ronaldo Fraga lembra-se de pelo menos cinco casos desde que começou a participar de desfiles, em 1995.
Mas, se os estilistas estiverem certos ao afirmar que as famílias têm responsabilidade
no assunto, também é verdade que o ambiente de moda pressiona a fita métrica. "A menina toma laxantes ou provoca o vômito porque seu booker diz que ela tem que perder três quilos em três dias. Ela quer trabalhar e vai topando tudo", diz Marco Antonio Tommaso, psicólogo e psicoterapeuta, especialista em transtornos alimentares e consultor das agências Elite, One e L'Equipe.
Há alguns anos, Tommaso conheceu Ana Carolina numa consulta de rotina. A preocupação da modelo com a família chamou sua atenção. "Ela falou muito sobre querer ajudar a mãe. Recentemente, a L'Equipe havia marcado uma hora para ela. Mas a garota não apareceu, como muitas costumam fazer." Para ele, essa tragédia deveria servir para que todos -famílias, agências, estilistas- repensem padrões de beleza e qualidade de vida. "Querer que qualquer menina alta se encaixe no biotipo de Gisele é absurdo, porque ela é naturalmente magra, saudável e tem pique." Características que definitivamente não cabem na vida de uma anoréxica.
Shelly, de 25 anos, enfermeira psiquiátrica, é uma das mulheres retratadas em "Thin", livro-documentário da americana Lauren Greenfield. Ela se internou em Renfrew, na Flórida, depois de ser hospitalizada dez vezes. Passou seis meses em tratamento. Na sua pior fase, teve um tubo de alimentação colocado no estômago. Infelizmente, nos dois anos desde que saiu da clínica, teve uma recaída e precisou usar novamente o tubo. Para Shelly, seu distúrbio está ligado a uma questão de identidade, por ter uma irmã gêmea, Kelly.
"TENHO UMA IRMÃ gêmea idêntica, Kelly, que nasceu seis minutos antes de mim. Ela é muito magra, por isso as pessoas pensam que ela tem um distúrbio alimentar. Mas não é verdade. Ela come o que quer, só que faz ginástica e por isso continua magra. Quando éramos crianças, as pessoas diziam que eu tinha o rosto mais fino, e ela, a cara mais gordinha. Eu gostava disso. Éramos bem parecidas na infância. Usávamos as mesmas roupas, o mesmo penteado, a mesma fita, a mesma cor de cabelo. E éramos tão ligadas que pensávamos ser a mesma pessoa. Sempre dormíamos juntas. Mesmo quando cada uma ganhou o seu quarto, mantivemos o hábito: uma ia para o quarto da outra. Quando fizemos 16 anos, começamos a reduzir gorduras e calorias. A coisa ficou feia no primeiro ano de faculdade. Morávamos num dormitório e controlávamos tudo o que comíamos.
Depois, Kelly foi para o México e tudo mudou. Para mim, foi como perder a melhor amiga. Quando voltou, Kelly estava diferente. Mas eu continuava a mesma. Fiquei maluca na primeira vez que vi ela tomar uma Coca- Cola normal. 'O que você está fazendo?', perguntei. 'Nós sempre tomamos Coca light.' Ela respondeu: 'Não, quero uma Coca normal'. Fiquei chocada.
"Quanto mais ficávamos distantes, mais eu me sentia derrotada. Passamos a ter hábitos diferentes, roupas diferentes, cabelos diferentes. Era assustador, porque eu estava acostumada a ter alguém do meu lado sempre e, de repente, estava sozinha. Ela fazia tudo o que queria, e eu não. Simplesmente não conseguia acompanhar o ritmo dela. Eu sentia que não era boa o bastante, e acho que isso acabou me levando ao distúrbio alimentar. Hoje, é importante para mim ser mais magra do que a Kelly. Acho que, se eu for diferente dela, vou me sentir melhor.
Quando me internei em Renfrew, em 2004, estava tão fora de mim que nem sabia mais o que era uma refeição normal. Eu havia sido hospitalizada dez vezes. Durante cinco anos, vivi com um tubo no meu nariz: era por ali que me alimentava. Mais tarde, implantaram o tubo direto no meu estômago. Em Renfrew, meu objetivo era me livrar do tubo, e passar a comer normalmente. Mas achei isso difícil porque o tubo tinha se tornado uma parte de mim. Eu o limpava o tempo todo, cuidava bem dele. Além disso, era mais fácil não ter que comer. Com o tubo, eu ingeria apenas a quantidade de calorias necessárias para me sustentar em pé por um período de oito horas.
Outro motivo para não querer tirar o tubo: entre as meninas, ele é um símbolo de status-se você tem um tubo, é sinal de que você é mesmo anoréxica. Com ele, eu ganhava a atenção de todo mundo. Não gostei de perder isso. Eu senti que estava abrindo mão de alguma coisa muito importante. E percebi que, dali para frente, eu teria que assumir a responsabilidade de cuidar do meu distúrbio alimentar.
Engordei bastante em Renfrew -só nas primeiras três semanas, ganhei três quilos. É muito para alguém que não está acostumada a comer. Mas não me sinto à vontade com isso, de jeito nenhum. Eu me sinto enorme e nojenta. Não suporto me olhar no espelho, acho que estou parecida com a minha irmã, e detesto pensar nisso. Quando conheço gente nova, faço questão de que saibam que já fui muito mais magra. Era melhor antes, quando eu pesava pouco. Sentia que tinha tudo sob controle.
Vivo em conflito. Amo o meu distúrbio, acho que não posso viver sem ele. E, ao mesmo tempo, eu o odeio porque ele me impede de fazer tudo o que quero. Aprendi muito na clínica. Agora sei que uso a anorexia para fazer as pessoas cuidarem de mim, porque morro de medo da responsabilidade. Tenho medo de viver a vida, acho que não sei como. Mas, aos poucos, estou aprendendo a ser mais independente, a confiar mais nas pessoas.
Espero que um dia eu possa olhar para trás e perceber o quanto essa minha atitude é idiota, quanto tempo desperdicei e todo o mal que fiz para a minha família. Eu quero construir a minha própria família, quero me formar na faculdade. Sei que não posso fazer isso com um distúrbio alimentar. Mas ele simplesmente me consome."
O nome ela inventou: Anna Paulla Fathin [em inglês, fat é gorda e thin, magra], brasileira, redatora de TV, 31 anos. No dia da entrevista, às 17h30, não tinha comido nada - última "refeição" aconteceu no anterior: um "potinho" de salada de frutas. Anna se pesa todos os dias.
Hoje, em tratamento, está com quilos-ela mede 1,67 m.
“CULTIVO A FOME DESDE a minha primeira dieta, aos 14 anos, quando perdi 16 quilos em 40 dias. Fui dos 62 para os 46. Apesar disso, não conseguia ver diferença nenhuma no espelho, nem na balança. Minha família ficou preocupada, mas não percebeu que eu estava doente. Achavam que tudo fazia parte da adolescência. Até porque eu chegava da escola, me trancava no quarto e não queria falar com ninguém. Acho que era depressão, mas ninguém desconfiou de nada. Nem eu. Depois de uns três meses, cheguei a ganhar um pouco de peso, mas passei a controlar a comida de forma obsessiva. Lia tudo sobre calorias e não me importava com o que era saudável, mas com o que não engordava. E também fazia contas diferentes. Se um pãozinho tem 130 calorias, o meu tinha 190. Até hoje penso assim. Já passei por seis crises graves, dessas que não como nada durante dias e, quando como uma maçã, sinto a maior culpa. Estou vivendo uma delas agora, que é diferente das outras porque já tomei consciência de que sou doente.
Então, às vezes, como alguma coisa só para evitar um mal maior. Depois, tomo laxante. Tem horas que o meu estômago está roncando tanto que até comeria arroz com feijão. Mas não como e isso me dá uma sensação de controle impressionante. Penso: se consigo ficar sem comer um bom tempo, todas as outras dificuldades, como frustrações, angústias, mágoas, decepções, vão ser fáceis. Aí fico com uma alegria enorme. Cada vez que resisto à comida, me sinto vitoriosa. Quando vejo o meu marido comendo até fico com vontade, mas evito para escapar da culpa de comer.
Sei que sou o meu pior inimigo. Mas a fome é uma distração de uma dor maior, de uma decepção, uma mágoa, um fracasso. Só que qualquer coisa é desculpa para eu não comer. Minha auto-estima é inversamente proporcional ao meu peso. E só gosto de mim magra. O problema é que nunca me vejo magra, nem quando estou com 45 quilos. Para mim, não tem peso ideal, e esse é o perigo da anorexia.
A doença estragou o meu corpo, sinto muitas dores e não tenho forças para subir um lance de escadas. Até para levantar o braço é um esforço enorme. Acabei com a minha musculatura e isso é um horror, até porque não posso fazer exercícios para queimar calorias. A fome também me deixa ligada. Então, durmo pouco e, quando durmo, durmo mal. Fico muito dividida o tempo todo. Por um lado, quero parar com isso, viver uma vida normal.
Mas, por outro, penso que, se eu comer, vou ficar gorda, horrorosa e minha vida vai piorar muito. É um círculo vicioso. Estou em tratamento desde maio do ano passado. Eu procurei ajuda porque estava tendo pensamentos suicidas. Mas já combinei comigo mesma que não vou me matar. Eu me julguei, me condenei e peguei pena de prisão perpétua, não de morte, mas de viver dentro deste corpo. Não estou doente por vaidade, como dizem. A anorexia é um processo autodestrutivo. Não sei onde isso começou... Na infância, todo mundo dizia que eu era a cara de minha mãe, que não é gorda, nem feia. Mas ela se colocava para baixo o tempo todo. Sou a versão exagerada dela. Mas não culpo ninguém. Também fiz planos, acreditei que, antes dos 30 anos, seria uma mulher de sucesso na carreira. Mas não aconteceu. A verdade é que sempre me senti um fracasso, um peso, uma decepção.”
Por Fernanda Cirenza e Silvana Tavano
Revista Marie Claire - Edição 189 - Dezembro de 2006
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