OVO E SEU REAL IMPACTO SOBRE O COLESTEROL SANGUÍNEO
Há cerca de 15 anos atrás, o consumo de ovos foi desencorajado por muitos médicos por causa do seu alto teor de colesterol.
Por muito tempo este alimento se tornou um vilão, mas estudos recentes realizados por pesquisadores da Universidade de Harvard mostraram que um consumo moderado de ovos, no máximo um por dia, não aumenta o risco de doenças cardiovasculares em pessoas sadias. E que apesar da gema possuir realmente um alto índice de colesterol, contém também nutrientes que podem ajudar a diminuir os riscos dessas doenças.
COLESTEROL
A idéia geral que o consumo de alimentos ricos em colesterol (acima de 300 mg por dia) diretamente eleva os níveis de colesterol e aumenta os riscos de doenças cardiovasculares em todos os indivíduos não corresponde à realidade, uma vez que apenas 30% da população é afetada pelo colesterol da dieta.
Foi observado que em indivíduos com níveis elevados de colesterol, a limitação de consumo dessa gordura para 100 mg ao dia, não tem impacto significativo sobre seus níveis sanguíneos.
Ainda restam dúvidas se existe uma ligação direta entre o colesterol da dieta encontrado nos alimentos que comemos e o colesterol sanguíneo produzido pelo corpo.
Os alimentos que comprovadamente levam ao aumento do colesterol ruim (LDL) são as gorduras saturadas (carnes gordurosas, produtos lácteos, embutidos) e de gorduras do tipo trans (margarina, alimentos industrializados em geral). Elas têm um impacto muito maior sobre estes níveis do que o colesterol alimentar em si.
Fatores como história familiar, alimentação, idade e estilo de vida, logicamente, também vão afetar esses níveis.
OS NUTRIENTES DO OVO
Apesar de ter uma quantidade significativa de colesterol, o ovo não tem muita gordura saturada. Um ovo tem cerca de 5g de gorduras onde apenas 1,5 g é saturada. Nas suas 70 calorias em média, o ovo tem mais de 12 vitaminas e minerais incluindo o zinco, ácido fólico, fósforo, riboflavina, vitaminas A, D, E e B12.
O ovo é também uma boa fonte de proteínas, contendo aminoácidos essenciais requeridos pelo organismo. É rico também em vitaminas, minerais e a lecitina, um tipo de gordura que ajuda a transportar e metabolizar gorduras no corpo. Uma outra gordura interessante presente no ovo é o ômega-3, que tem papel importante na prevenção de doenças cardiovasculares e na depressão. É uma boa fonte de acetilcolina, que forma colina, nutriente essencial para memória e concentração. É rico também em luteína, um tipo de carotenóide que pode prevenir problemas de visão e doenças cardiovasculares, reduzindo a formação de placas de gorduras nas artérias.
Por causa desses estudos e o fato do ovo ser um alimento tão rico em nutrientes, a Associação Americana do Coração (American Heart Association) agora recomenda que a ingestão de 1 ovo por dia, ao contrário dos 3 a 4 por semana, preconizados anteriormente. A recomendação, no entanto, diz que ao fazer isto, outros alimentos ricos em gordura não devem ser consumidos na mesma dieta.
O ideal, ao preparar o ovo, é não cozinhar demais a gema, preferindo fazê-lo cozido ou pochê. Pode ser feito também na forma de omelete ou frito na água, cuidando sempre para não cozinhar demais, evitando assim a oxidação das gorduras presentes nele. E cuidado também na escolha dos acompanhamentos, nada de adicionar bacon, queijo ou presunto. Como o ovo já é uma fonte de proteína, o ideal é complementar apenas com vegetais crus e cozidos e uma boa fonte de carboidrato (torrada ou arroz integral).
Dra. Fernanda Scheer
Nutricionista Funcional
CRN3 24045
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